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Entrevista Avenged Sevenfold Metal Hammer – Parte 1

O Avenged Sevenfold deu uma entrevista exclusiva para a revista Metal Hammer de Dezembro. Nesta primeira parte eles falaram um pouco sobre como anda o rock e o metal nos Estados Unidos atualmente e sobre o relacionamento entre a banda. Clique em leia mais para conferir!

“O metal levou uma surra – queremos fazê-lo ser perigoso. De novo!”

Obsessão. Eles podem ser atualmente a melhor banda de metal do mundo, mas o Avenged Sevenfold ainda sabe caminhar com cuidado. Afinal de contas, tudo pode mudar num piscar de olhos na indústria musical de hoje…

 “Todos nós ouvimos pessoas em bandas gritando bem algo recentemente: fodam-se os haters!” – Três chances para adivinhar de quem M.Shadows está falando.

O bar no hotel Ritz-Carlton de Atlanta cheira a dinheiro. Todo coberto de madeira escura, decoração em tons claros, e carpetes de fibras longas, oferece uma hospitalidade sulista top de linha aos moradores mais ricos da cidade e turistas com bolsos fundos, com garçons vestidos com ternos deslizando silenciosamente pelo cômodo como se estivessem sobre rodas. A Metal Hammer está dividindo uma bebida com o frontman do Avenged Sevenfold, M.Shadows, quando uma estilosa empresária por volta dos 40, claramente intrigada pela presença de um homem com muitas tatuagens e cabeça parcialmente raspada em um ambiente tão elegante se aproxima.

“Desculpem por incomodá-los”, interrompe ela, num suave sotaque da Georgia, que estica vogais como goma de mascar. “Estamos morrendo para saber, qual é o nome da sua banda?”

Shadows, que está matando o tempo esperando pelo retorno de sua esposa Valary de um passeio pelo shopping, conta à mulher o que ela quer saber.

“Avenged Seventy Four! Muito legal!” diz ela, antes de retornar aos seus companheiros numa mesa vizinha a fim de passar a frente seu conhecimento recém-adquirido. “É Avenged Seventy Four”, repete ela em voz alta, enquanto Shadows educadamente luta para abafar uma risada.

O nome da banda pode ainda não estar nos lábios de todos, mas o Avenged Sevenfold está curtindo o melhor ano de suas carreiras, até hoje. Em agosto, o sexto álbum do quinteto, Hail to the King, foi classificado como o Número 1 nas listas do Reino Unido e dos Estados Unidos: oito semanas depois, as vendas do álbum haviam chegado a 300.000, apenas nos Estados Unidos. Nenhum outro acontecimento no metal vai chegar ao menos perto de tocar esse tipo de número em 2013. Tanto é que a banda está atualmente tocando em arenas de 15.000 – 20.000 lugares pelos Estados Unidos, com seus heróis da adolescência, o Deftones, e os suecos do Ghost como apoio.

Você pode, com razão, esperar que tais conquistas tenham adicionado um novo estilo à caminhada dos caras de Huntington Beach. Inclusive, na véspera do show número 8 de sua turnê de 15 shows, há um tom de cuidado na voz de M.Shadows, enquanto ele fala sobre o atual status de sua banda, como a melhor banda de metal dos Estados Unidos. Não que o frontman esteja insatisfeito. É mais que ele acredita que ainda há muito mais para se fazer, e ele está ansioso para que o Avenged Sevenfold preencha completamente seu potencial.

“Pra ser honesto, eu acho que o rock está num lugar muito ruim nos Estados Unidos neste momento,” explica ele. “Eu não sinto que os Estados Unidos realmente se importam com o rock atualmente. Honestamente, é um pouco assustador. Seria mais legal se houvesse um novo Big 4 (Anthrax, Slayer, Megadeth e Metallica) liderando o ataque e levando o metal a um novo lugar, mas é muito óbvio agora que o metal está levando uma surra. Nós queremos que o metal seja perigoso, novamente. O quão legal isso seria?”

Dez anos se passaram desde que o Avenged Sevenfold tocou pela primeira vez em Atlanta, abrindo a turnê Plea for Peace, com The Dillinger Escape Plan, Poison the Well e Eighteen Visions, diante de uma plateia que Shadows se lembra de como “talvez” 30 pessoas. Naquele tempo, os californianos estavam dormindo com suas cabeças em cases de guitarra na parte de trás de uma van Econoline bem sofrida e não nos travesseiros de linho do Ritz-Carlton: muita coisa aconteceu nesta década. E na verdade, de algumas formas, quanto mais as coisas mudam para o Avenged Sevenfold, mais eles permanecem os mesmos. Esta noite enquanto eles se esgueiram para dentro do bar, um por um, à frente de uma noite de banda e equipe para celebrar o aniversário do produtor de turnês Marvin, é evidente a força com que eles estão todos conectados. Enquanto eles trocam abraços, cumprimentos de mão e sorrisos de orelha a orelha, a camaradagem entre Shadows, os guitarristas Synyster Gates e Zacky Vengeance, o baixista Johnny Christ e o baterista Arin Ilejay fica clara: com esposas e namoradas a tiracolo (sem mencionar o adorável filho de 15 meses de Shadows, River), há um clima genuíno de família. Se Shadows é inquestionavelmente o macho alfa da banda, Synyster é um cara mais cheio de ideias, pensativo, embora igualmente influenciador. Zacky e Johnny são mais quietos e diferenciam-se dos outros dois, enquanto o novato Arin, presente na banda desde 2011 e só recentemente aceito como um membro oficial fica nas sombras, mas é uma pessoa carismática que poderia facilmente ser frontman em outra banda. Juntos, eles exibem a confiança de um grupo instintivamente alerta de que este é o momento deles.

No verão de 1991, quando o Black Album, do Metallica, atingiu o topo da lista da Billboard, Lars Ulrich recebeu a notícia por fax durante uma turnê pela Europa. Relembrando este momento na Rolling Stone, um ano depois, ele observou, “Você acha que um dia algum babaca vai te dizer “Você tem um álbum número 1 nos Estados Unidos e o mundo inteiro vai ejacular. Foi tipo, “Bem, OK.” Foi apenas como outra merda de fax do escritório.” Falando com o Avenged Sevenfold sobre suas reações ao Hail to the King ter atingido o topo das listas dos dois lados do Atlântico, há um sentido similar de uma banda levando o sucesso firmemente em seu progresso. E quando Shadows e Gates conversam sobre as projeções de vendas e questões de indústria com os olhos de águia de presidentes de grandes companhias, fica claro que estes são homens jovens com seus olhos fixos muito firmemente no jogo.

Tendo conseguido o topo da lista da Billboard com o albúm de 2010, Nightmare, o sucesso de Hail to the King nos Estados Unidos não era inteiramente algo imprevisto pelos dois, mas o sucesso do álbum em todo o mundo – HTTK também ficou no topo das listas da Irlanda, Canada, Finlândia e Brasil – veio como uma verdadeira surpresa.

“Eu me lembro da gente vendendo todos os 5.000 ingressos disponíveis no Gibson Amphotheatre, em Los Angeles, e voando direto para a Alemanha para tocar numa casa com capacidade para 300 pessoas, onde havíamos vendido apenas 120 ingressos,” diz Shadows. “Isso foi quando o City of Evil começou a decolar de verdade nos Estados Unidos, mas parecia que a Europa estava menos interessada. E agora, nossas vendas de ingressos na Europa estão simplesmente esmagando o que estamos fazendo nos Estados Unidos. É uma sensação muito boa. Dá a impressão de que estamos construindo um culto abrangendo o mundo todo. E que isso é apenas o começo de algo especial.”

“Temos sorte de os nossos fãs ao redor do mundo terem abraçado nossa evolução”, diz Gates. “Sabemos o quão sortudos nós somos. Queremos mudar as vidas das pessoas. Não estou dizendo que somos um presente de Deus, mas que estamos tentando fazer a diferença. Estamos fazendo todo o possível para nos lançarmos à frente em cada aspecto do que significa ser uma banda. Porque isso realmente importa pra gente. E nós sabemos exatamente o quanto isso significa para as pessoas aí fora, também. E é sobre isso que essa turnê é: levar coisas a um novo nível.”

 

Obrigada, Mateus Laino pelos scans.

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